quarta-feira, 4 de março de 2015

ERAM DUAS CAVEIRAS QUE SE AMAVAM

O Ad Council é uma ONG americana voltada para campanhas de utilidade pública. A mais recente se chama "Love Has No Labels", e seu carro-chefe - o filme acima, com três minutos de duração - já acumula mais de um milhão e meio de visualizações desde qe foi postado ontem no YouTube. Acho que vai ganhar leão no próximo festival de Cannes de propaganda. Merecidíssimo, aliás: não é qualquer comercialzinho merreca que arranca lágrimas de um cínico como eu.

REINAÇÕES DE RENANZINHO

“Cría cuervos, que te sacan los ojos”. Este antigo provérbio espanhol cabe direitinho na situação atual entre o governo e o presidente do Senado. Tanto Lula quanto Dilma fizeram vista grossa às falcatruas de Renan Calheiros, pois o viam como um aliado no comando de uma das casas do Congresso. Sempre orientaram os parlamentares petistas a proteger o potentado alagoano. Eu cheguei a escrever ao então senador Eduardo Suplicy cobrando uma posição, e ele me respondeu saindo pela tangente. Portanto, bem feito. Renan só é aliado de si mesmo, e bastou que a água lhe espirrasse na bunda para ele mostrar suas garras. Recusou o ajuste fiscal, que é dolorosíssimo porém necessário, e agora ameaça rejeitar o próximo juiz indicado pela presidenta para o STF – quem quer que seja ele. Verdade que Dilma está há sete longos meses procurando (e não encontrando) um nome que seja simpaticíssimo ao PT, mas essa reinação de Renanzinho pode custar mais alguns impasses ao Supremo. O Executivo tolerou e até alimentou esse monstro: agora que não se faça de coitadinho. Ah, e antes que eu me esqueça: é igualmente horrível ver senadores do PSDB aplaudindo a atitude de Renan, quando eles sabem muito bem que as medidas propostas por Joaquim Levy são exatamente as mesmas que Aécio tomaria se tivesse sido eleito. Oposição se faz a quem está no poder, não ao país inteiro.

terça-feira, 3 de março de 2015

SEU NOME ESTÁ NA LISTA?

O Brasil pode estar horrível, mas vou te contar uma coisa: não está nada chato. Todo dia é um novo susto, um novo barata-voa, um novo frio na espinha. Dizem que as espinhas de Eduardo Cunha e Renan Calheiros estão congelando: os presidentes da Câmara e do Senado teriam sido avisados por um passarinho que seus nomes estariam na lista. Sim, A LISTA: mais aterradora que a dos aprovados no vestibular, mais selecionda que nas mãos da hostess na porta da boate. A lista dos políticos implicados no petrolão. Se os dois citados estiverem mesmo, quero só ver os petistas reclamarem do Sergio Moro ou do Rodrigo Janot, pois será uma chance de ouro de defenestrar esses dois desafetos do governo. Mas será que os nomes serão logo liberados? Será que algum dia serão punidos? Só não tenho uma dúvida: são todos culpados. Todos. Muito.

BEM LONGE DOS CINEMAS


Batsa um filme ser argentino para já me dar vontade de vê-lo. A produção dos nossos hermanos nos últimos quinze anos atingiu um nível tão alto que é raro topar com um título que seja menos do que regular. Mas hoje eu topei. "Bem Perto de Buenos Aires" concorreu no festival de Berlim do ano passado e agradou a boa parte da crítica - aquela que curte filme lento e sem história. Eu detesto. Tudo o que há é uma vaga ameaça que apavora os moradores de um condomínio. Nunca sabemos o que é. Para piorar, as cenas são desconexas e filmadas com câmera parada. Não há música, nem humor. O elenco é feio... Já deu para assustar? Então fuja, porque aqui a ameaça é real.

segunda-feira, 2 de março de 2015

LAÇOS DE AFETO

Os sites da Globo ainda são movidos a lenha. Além da navegação ser confusa, eles também não disponibilizam códigos para o "embedamento" dos vídeos. Por isto, quem quiser ver a entrevista que Gilberto Scofield e Rodrigo Barbosa deram hoje no programa da Fátima Bernardes vai ter que clicar aqui. Como algumas pessoas que estavam no estúdio, eu também quase fui às lágrimas. É importante repetir o que o atual casal-símbolo da adoção por gays disse no final da conversa: mais importantes que os laços biológicos são os laços de afeto, e as Varas de Família estão valorizando-os cada vez mais. Um argumento poderoso que pode ser útil na batalha contra o atraso, hoje personificado por Eduardo Cunha. O presidente da Câmara disse ontem num evento evangélico que as maiorias precisam impor sua vontade, um discurso pseudo-democrático que só cola entre os indigentes mentais. Pessoas sensatas sabem que os direitos das minorias não podem ser submetidos à aprovação de todos, justamente porque são de minorias. Hoje Cunha sofreu seu primeiro revés: precisou recuar na festança das passagens aéreas, depois de criticado na imprensa e brindado com uma petição do Avaaz. Outros reveses virão, mas para isto precisamos ter a coragem do Gilberto e do Rodrigo e mostrar para esta corja que a sociedade já mudou.

O ESTADO EVANGÉLICO

>Os vídeos dos Gladiadores do Altar estão pipocando no YouTube desde o final do ano passado, mas neste fim de semana ganharam maior repercussão porque foram compartilhados pelo deputado Jean Wyllys. É uma iniciativa da Força Jovem Universal, ligada à IURD, e à primeira vista parece uma tentativa de emular a Juventude Hitlerista. O ridículo já começa pelo nome: gladiadores não eram soldados, eram lutadores que se matavam nas arenas para delírio das massas. Também acho que o passo marcial podia ter sido melhor ensaiado, porque os rapazes estão todos fora de sincro. Já tem gente nas redes sociais com medo de que isto seja o começo do equivalente brasileiro ao Estado Islâmico. Vamos ver: se forem só "pregar o evangelho" (i.e. conseguir novos clientes para a Universal, que atravessa uma crise brava), menos mal. O problema vai ser se começarem a destruir terreiros de candomblé e a agir como polícia religiosa em suas comunidades. Se isto acontecer, na boa: vou pegar em armas.

domingo, 1 de março de 2015

50 ANOS PASSAM LOGO

Um dos meus maiores orgulhos aos quatro anos de idade era saber desenhar direitinho o logo do IV Centenário do Rio de Janeiro. Criado por Aloísio Magalhães, o mais influente designer brasileiro de todos os tempos, aquele símbolo "clean" era moderníssimo para a época, e se mantém forte até hoje.

Mas é de uma rigidez incrível perto da marca polivalente escolhida para os 450 anos da cidade. Dá até para escolher novos olhos, penteados e acessórios para aquela carinha no site oficial da comemoração. Claro que eu me sinto antigo por lembrar tão bem daquele grande aniversário de meio século atrás. Mas quero estar firme e forte no quinhentão.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

A INCOMPETENTA

Marlene Mattos foi a todo-poderosa diretora dos programas da Xuxa durante quase 20 anos. Gritava muito e tinha fama de super exigente. Tocava o terror por onde quer que passasse. Mas um belo dia Xuxa se encheu dela, e Marlene nunca mais se acertou. Foi dirigir outros programas e fracassou em todos. Ficou claro que quem fazia sucesso mesmo era a Xuxa. Marlene só sabia gritar.

Dilma Rousseff é a Marlene Mattos da política brasileira. A aura de gerentona e "mãe do PAC" vendida por Lula se evaporou. A presidenta conduziu tão mal a economia que agora não tem mais moral para gritar com ninguém. O resultado é que anda sendo desautorizada em público por seu próprio mentor, e está cada vez mais isolada. Mas também é vítima da estratégia equivocada escolhida por seu partido para "defender" a Petrobras. "A culpa é do FHC" voltou-se contra ela e virou motivo de chacota nas redes sociais. Que são um ambiente onde os petistas não aprenderam como agir: ainda não entenderam que o "nós contra eles" só funciona quando se dispõe de uma ampla maioria. Quando está pau a pau como agora - e isto a nível nacional, porque da classe média para cima o PT vem caindo feito meteoro - a tática simplesmente não funciona.

Estão sendo convocadas grandes manifestações para o dia 15 de março. Só irei se não forem todas pró-impeachment. Já expliquei porque sou contra que Dilma seja impedida, mas não custa lembrar: além da inevitável ruptura democrática, o substituto (Temer? Cunha?) pode ser ainda pior. Fora que o PT se tornará um mártir, voltando com mais força em 2018. Nananina: quem quebrou os cristais, que pague por eles. Dilma tem que consertar a merda que fez, não sair de fininho e deixar a bomba estourar na mão de outro. Mas como? Uma solução seria um governo de união nacional, reunindo no ministério experts de todos os partidos. Mas para isto Dilma teria que admitir erros, e isto ela nunca fez. Prefere que a conta de luz exploda a dizer que não deveria ter barateado a tarifa artificialmente. Vai continuar sendo Marlene Mattos. E por onde é mesmo que anda a Marlene?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O DIA DO ORGULHO BURRO

O Põe na Roda tirou uns 18 meses de férias, e agora que eles voltaram eu ando meio lerdo para me atualizar com as novidades do grupo. Só hoje que eu fui ver o vídeo lançado terça passada, mas é claro que esta pequena obra-prima ainda não perdeu a atualidade. Ainda mais porque ontem rolou na orla carioca uma minúscula Parada do Orgulho Hétero, reunindo vinte gatos pingados. Os caras dizem que estão só de zoação e coisa e tal, mas, ao passar pela altura da Farme, na praia de Ipanema - para quem não sabe, o maior point da bicharada - eles perguntaram aos frequentadores "de que lado eles estavam". Bixa, pare: nenhum gay é contra os héteros. Mas o que tem hétero contra os gays... E esses palhaços, infelizmente, se encaixam nessa categoria. Ainda bem que iniciativas como as do Põe na Roda servem para ridicularizar essa burrice, que pode virar lei graças ao Eduardo Cunha (o Frank Underwood brasileiro). Talvez eu nem devesse me preocupar: o pacote de mordomias implantado pelo novo presidente da Câmara agride a população como um todo, e eu não duvido nada que o nome do sacripanta seja lembrado nas passeatas que vão sacudir o Brasil em março.

KAPLANPLOFT

A comédia é o mais difícil dos gêneros. Tanto que tem muito diretor por aí jurando estar fazendo comédia, mas não está. Acabam estragando roteiros que até teriam potencial cômico. Foi o que aconteceu com "Sr. Kaplan", escolhido pelo Uruguai para representá-lo no último Oscar. Dá para perceber que a história do velho judeu que resolve caçar um suposto nazista só para dar algum sentido a seu final de vida poderia render algumas risadas. Mas a direção é frouxa e sem timing, e o elenco foi muito mal escalado. O ator que faz o papel-título não tem carisma nem empatia nem um pingo sequer de graça. Em nenhum o momento o espectador torce por ele: só para que este equívoco acabe logo, o que demora a acontecer. O Uruguai bem que se esforça, mas o nível dos poucos filmes que realiza por ano ainda está bem longe dos que se fazem na Argentina.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

TÔ FICANDO ATOLADINHA

Calma, gente. A capa da "Economist" com a passista afundando no pântano é só para a América Latina. No resto do mundo, a revista destaca uma reportagem sobre os novos telefones celulares. Ou seja, nosso vexame não é a nível planetário. Ufa. Obviamente isto não livra a cara do FHC, em cujo governo a inflação começou a sair do zero. Pois é: se ela tivesse se mantido nesta marca, obtida no primeiro dia do Plano Real, não estaríamos hoje nos aproximando dos 8% ao ano, já acima do teto estabelecido pelo Banco Central. Mas isso a mídia golpista finge que não vê, não é mesmo?

MICHELLE PFEIFFER, THAT WHITE GOLD

Mark Ronson é dos poucos produtores musicais que são conhecidos, se não pela sua mãe, pelo menos por um público maior do que só os executivos de gravadoras. Foi ele quem criou o new soul de Amy Winehouse, e, nos últimos anos, emprestou seu toque de Midas para nomes tão variados como Duran Duran e Paul McCartney. Mas é quando faz seus próprios discos que Ronson expõe melhor o próprio talento. Ontem ele ganhou o Brit Award de melhor single britânico por "Uptown Funk", esse petardo comandado por Bruno Mars onde só mesmo o produtor não é americano. Uma canção sem refrão definido, que no entanto grudou no meu ouvido há mais de um mês. É o carro-chefe de "Uptown Special", o novo CD, digamos, solo de Mark Ronson. Na verdade é um tributo à black music dos dois lados do Atlântico, com participações que vão do deus Stevie Wonder ao jovem rapper Mystikal, um clone de James Brown. Um disco que com certeza será lembrado nas indicações ao próximo Grammy, e que só tem pela frente a concorrência de outro trabalho autoral de produtor: o que Giorgio Moroder está terminando de gravar.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

LEVANTA, SACODE A POEIRA

Madonna se esborrachou agora há pouco durante sua apresentação na entrega dos Brit Awards, os Grammys britânicos. A queda foi épica, mas pelo menos vimos que ela estava mesmo cantando sem ajuda de playback. E vamos parar de acusar o coitado do bailarino que puxou a capa? É óbvio que a culpa foi do FHC.

ATUALIZAÇÃO: Eu me estendo mais sobre este tombo e a entrevista que Madonna deu à "Rolling Stone" na minha coluna desta quinta (26) no F5.

ODOR DE SANTIDADE


"Um Santo Vizinho" estava bem cotado para o Oscar. Mas, como não recebeu nenhuma indicação, estreou no Brasil sem fazer alarde. O que é uma pena: esta comédia agridoce traz o primeiro papel do injustiçado Bill Murray em muitos anos. Além disso, duas atrizes fazem personagens opostos ao que esperamos delas. A geralmente dramática Naomi Watts está engraçada como uma prostituta russa, e a espalhafatosa Melissa McCarthy aparece aqui num registro bem mais sério do que de costume. Mas a história é meio manjada. Um sujeito adulto e desesperançado recupera a alegria de viver depois de cuidar de uma criança... Um plot que já era velho na época de "Central do Brasil", e que tem lá sua cafonice - afinal, criança não é Prozac. Mesmo assim, um "Santo Vizinho" tem muitos bons momentos, apesar de descambar para o sentimentalismo na reta final. Mas a mensagem do filme não pode ser mais atual: qualquer arranjo familiar é válido, contanto que exista amor.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

#EMDEFESA DETODASASFAMILIAS

Se Eduardo Cunha fosse mesmo temente a Deus, seu nome não estaria envolvido em tantas maracutaias. O novo presidente da Câmara de Deputados já começou sua carreira na política enrolado, em escândalos na antiga Telerj e no governo Collor. Por isto que eu acredito que o fervor religioso do sujeito seja apenas da boca para fora (como, aliás, é o caso de quase todos os membros da bancada evangélica). No fundo, no fundo, Cunha deve saber que os homossexuais não são assim tão maus - e isto torna suas posições anti-LGBT ainda mais abomináveis, porque visam apenas o ganho político. Ele já avisou que vai por em votação o famigerado "Estatuto da Família", que define como núcleo familiar apenas aqueles formados a partir da união entre um homem e uma mulher - o que é um acinte perante as milhares de crianças abandonadas por casais héteros e adotadas por gays, solteiros ou não. Hoje o "Estado de São Paulo" publicou um artigo do jornalista Gilberto Scofield onde ele conta como adotou com seu marido um garoto que ninguém mais queria. Se dependesse da hipocrisia de Cunha, PH ainda estaria no orfanato. Felizmente, boa parte da população brasileira que se diz contra os direitos igualitários muda de ideia quando o destino de crianças está em jogo. Há tantos menores rejeitados no Brasil que acho que somos o único país onde o avanço da causa LGBT começou por onde ainda nem terminou em outros lugares mais evoluídos, a adoção. Mas nem por isto não iremos reagir. Hoje rolou um "tuitaço" e "facebookaço" sob a hashtag EmDefesaDeTodasAsFamílias, onde os internautas publicaram fotos de seus arranjos familiares, quaisquer que fossem eles. Uma política séria precisa, de fato, enxergar o óbvio, mas não duvido que nosso legislativo cada vez mais medieval aprove essa monstruosidade. E aí a Dilma vai ter que vetar. Mas será que ela tem força política para isto? Ou vai nos rifar, como todas as outras vezes?

O DEUS DA CARNIFICINA


Já vi todos os filmes do OScar que entraram em cartaz. Meio que por falta de opção, acabei assistindo a um longa que não me interessava muito: "Corações de Ferro". Antigamente (até o ano passado...) eu iria ver automaticamente qualquer coisa com o Brad Pitt. Mas encarar mais um filme sobre a 2a. Guerra, a essa altura da guerra? O fato é que "Fury" - este é o título original, obviamente intraduzível para o português - não tem muita razão de ser. É uma sucessão de cenas violentíssimas que se passam no último mês do conflito, numa Alemanha arrasada que no entanto ainda tema em não se render. Há momentos francamente desagradáveis, que insisitem naquela mensagem tão inédita de que a guerra é um horror. Brad, com aquele corte de cabelo que foi moda em 2014, ainda ostenta um corpaço totalmente inapropriado para a época - talvez para disfarçar que, aos 50 anos, ele está um pouco velho para fazer um soldado. Mas o pior é que ele está bastante inexpressivo no papel, comprovando mais uma vez que suas boas performances dependem mesmo do diretor e do montador. Lindo como um deus, ele até hoje não encontrou um poersonagem icônico que o eternize na história do cinema. Não foi dessa vez. "Corações em Fúria" até tenta inovar ao mostrar o massacre desenfreado de um período pouco explorado pelo cinema, mas não escapa do clichê. Corra para o abrigo antiaéreo, porque se trata de uma bomba.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

ESQUISITO E DIFERENTE

Quando Graham Moore subiu ao palco para aceitar seu Oscar pelo roteiro de "O Jogo da Imitação", eu corri pro Twitter: "esse aí tá com cara de que vai agradecer ao namorado". Não agradeceu, mas seu discurso não deixou muitas dúvidas. Eu e a torcida do Planeta Terra Futebol Clube tivemos certezíssima de que aquele rapaz imberbe de voz delicada era biba, e por que não deveríamos? O filme que ele escreveu fala de um dos homossexuais mais importantes do século 20, o matemático Alan Turing, que morreu justamente por causa da homofobia. Graham ainda contou que tentou o suicídio quando adolescente, e terminou seu agradecimento - o mais bacana da noite - com uma frase que já nasceu slogan, "continue esquisito, continue diferente". Mas, já nos bastidores, ele desmentiu a impressão que causou na humanidade. Disse que não é nem nunca foi gay, "apenas" deprimido. E eu me senti um poço de preconceitos, sempre pronto a colar uma etiqueta na testa de alguém só porque este alguém mia. Também preciso me acostumar às infinitas variações da esquisitice e da diferença nesse mundo onde cabe de um tudo.

THE HILLS ARE ALIVE

Hoje vai ser daqueles dias: o YouTube ficará removendo todos os vídeos de Lady Gaga no Oscar postados por espectadores, até que surja uma versão oficial. Portanto, se você ainda não viu, corra. Daqui a pouco esse que está aí em cima pode ter sido retirado, se é que já não foi. Mas vale muito a pena, porque a performance da Germanotta foi o ponto alto de uma cerimônia que priorizou a música ao invés do humor (quem quiser saber o que eu achei do resto da cerimônia deve ler minha coluna de hoje no F5). Houve mais decepções do que surpresas, como a derrota de "Relatos Selvagens" para "Ida" e o desempenho marromeno do Neil Patrick Harris. Mas foi uma noite mais animada do que de costume, com plateia e internet ensandecidas. Stay weird, stay different!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

PALPITES DE OURO

Olá, amiguinhos, e bem-vindos a mais um post anual com previsões para o Oscar. Que rola HOJE À NOITE: então, tirem as peles do frigorífico da Madame Rosita e se empetequem para uma looonga noite diante da TV, porque hoje é o SuperBowl das bichas. Na TNT com tecla SAP, é claro: ninguém merece aquela tradução simultânea capenga. E a transmissão da Globo, além de começar no meio da cerimônia - porque, afinal de contas, é dia de formação de paredão no "BBB", olha só que excitante - é feita para leigos que não só nunca vão ao cinema como ainda têm que dormir cedo.

A disputa desse ano promete ser a mais acirrada em muito tempo. Para começo de conversa, não há um favorito para os troféus de mMELHOR FILME e MELHOR DIRETOR - há dois. A crítica se bandeou desde cedo para o lado de "Boyhood", mas os prêmios precursores deram a "Birdman" uma certa vantagem. Até mesmo o Spirit Awards, que só premia o cinema independente, deu a vitória a "Birdman", uma produção muito mais complicada tecnicamente do que o semi-caseiro "Boyhood". Por outro lado, o BAFTA - o Oscar britânico - preferiu o filme de Richard Linklater. E no entanto, Alejandro G. Iñárritu levou o DGA, do sindicato dos diretores, cujo resultado quase sempre coincide com o da Academia. Meu palpite pessoal é que "Boyhood" leva melhor filme e "Birdman", diretor. Mas qualquer uma das quatro combinações possíveis entre esses filmes para as duas categorias é plausível para logo mais.

Deixa eu me deter um pouco neles. Tanto "Boyhood" quanto "Birdman" são filmes importantes, porque ambos esticam para mais adiante as fronteiras do cinema. Talvez por isto mesmo tenham tantos fãs quando detratores. "Boyhood" encantou muita agente com seu estilo "mosca na parede", acumulando cenas do dia a dia de um garoto sem ter uma trama definida. Outros tanto se incomodaram justamente com essa falta de história: de fato, o roteiro não segue a clássica estrutra em três atos (apresentação do problema + agravamento do problema + resolução do problema), porque nem há exatamente um problema. Há vida.

"Birdman" é quase o oposto: enquanto "Boyhood" foi filmado ao longo de doze anos, a ponto do tempo ser quase o protagonista, o filme de Iñárritu foi editado para parecer ter sido feito num take só, sem cortes aparentes. Tudo ao mesmo tempo agora! Os filmes também são complementares em seus temas. Enquanto que "Boyhood" fala da gradativa transição da infância à idade adulta, "Birdman" é sobre a crise de um homem de meia-idade, que não tem mais tempo a perder e precisa recuperar a si mesmo. Pessoalmente, gostei mais de "Birdman". Mas acho que a proposta de "Boyhood" foi ainda mais ousada, e por isto, se eu fosse membro da Academia (serei, serei), daria a ele o Oscar de melhor filme.

Outra corrida que não está definida é a de MELHOR ATOR. Podem ganhar tanto Eddie Redmayne como Michael Keaton. O primeiro talvez tenha tido a tarefa mais difícil, ao incorporar a fisionomia retorcida de Stephen Hawking. Mas o segundo é um veterano adorado pela indústria num papel cheio de autorreferências. É provável que Keaton não tenha outra chance de vencer, e Redmayne ainda é bem jovem. Mas o inglês levou o prêmio do SAG, que nos últimos 0 anos se alinhou 100% com o Oscar. Minha aposta é que ele saia agraciado esta noite, mas vou ficar contente se seu rival o derrotar.

As outras categorias de atuação são todas barbadas. A MELHOR ATRIZ será Julianne Moore, o MELHOR ATOR COADJUVANTE será J. K. Simmons e a MELHOR ATRIZ COADJUVANTE será Patricia Arquette. Fim da discussão.

Agora, embolado mesmo está o páreo de MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Nada menos que quatro dos cinco concorrentes têm chances de ganhar. O polonês "Ida" estreou no meio do ano nos EUA e seduziu os críticos. É o único dessa categoria que tem uma indicação em outra (fotografia). Levou vários prêmios precursores e o BAFTA. Mas perdeu o rebolado quando o russo "Leviathan" faturou o Globo de Ouro. E ainda tem que enfrentar o mauritano "Timbuktu", que papou nada menos que sete Césars (o Oscar francês) anteontem e está fazendo uma campanha pesada pelo troféu. Correndo por fora, meu queridinho "Relatos Selvagens", que tem a vantagem de ser o único sem mensagem política explícita e ainda por cima fazer a plateia rir. Como os votantes nessa categoria precisam ver todos os cinco indicados no cinema, com mais gente em volta, o fator gargalhada pode garantir o terceiro Oscar à Argentina.

E o resto?

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL - "O Grande Hotel Budapeste"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO - "O Jogo da Imitação"

MELHOR FOTOGRAFIA - "Birdman" (vai ser a segunda vitória consecutiva do fotógrafo mexicano Emanuel Lubizki, que ganhou ano passado por "Gravidade")

MELHOR EDIÇÃO - "Whiplash"

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO - "O Grande Hotel Budapeste"

MELHOR FIGURINO - "O Grande Hotel Budapeste"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO - "O Grande Hotel Budapeste"

MELHORES EFEITOS VISUAIS - "Planeta dos Mcacaos: O Confronto"

MELHOR EDIÇÃO DE SOM - "Sniper Americano"

MELHOR MIXAGEM DE SOM - "Sniper Americano"

MELHOR TRILHA ORIGINAL - "A Teoria de Tudo"

MELHOR CANÇÃO - "Glory", de "Selma"

MELHOR DESENHO ANIMADO EM LONGA-METRAGEM - "Como Treinar seu Dragão 2" ou "Operação Big Hero" (o melhor mesmo era "Uma Aventura Lego", que não foi sequer indicado - talvez por ter sido visto como um longo comercial)

MELHOR DESENHO ANIMADO EM CURTA-METRAGEM - "Feast"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM EM LONGA-METRAGEM - "Citizenfour"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM EM CURTA-METRAGEM - "Crisis Hotline: Veterans Press 1"

MELHOR CURTA-METRAGEM DE FICÇÃO - "Boogaloo and Graham"

Reparou que todos os oito indicados a melhor filme devem ganhar alguma coisa? Isto é raríssimo. E o mais premiado de todos será... "O Grande Hotel Budapeste", de fato o meu filme predileto entre os finalistas. Iupiii.

E atenção, meus súditos: vou estar tuitando durante a cerimônia, e amanhã no F5 tem coluna minha comentando a cerimônia. Bom bolão para todos nós.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A FALSA MAGRA

Sinto-me pessoalmente ofendido pelas declarações de Dilma sobre a corrupção na Petrobras. Ela está me chamando de burro quando diz que é tudo culpa de FHC, que não combateu o problema iniciado em seu governo. Na verdade, a roubalheira na estatal começou junto com ela, nos anos 1950. Os desvios dos anos 1990 foram acusados por Paulo Francis, não exatamente um jornalista de esquerda - e ele pagou com a vida por sua ousadia. FHC devia ter feito alguma coisa? É claro. Mas Dilma não pode pagar de gostosa neste momento, pois desde 2003 ela tem poder - e muito - sobre a Petrobras. Foi ministra de Minas e Energia, presidiu o conselho da empresa e nomeou inúmeros diretores, inclusive vários dos que agora estão presos. A presidenta emagreceu, mas mentiras são flácidas. Essa foi mais uma tentativa do PT de jogar a culpa em outrem (que até existe, não estou negando), e dar a impressão que está movendo mundos e fundos para eliminar a corrupção. Não está, haja vista a peregrinação de advogados da Odebrecht ao Instituto Lula. Neguinho deve estar ameaçando dar com a língua nos dentes, pois não é a ideologia o que motiva as empreiteiras.

CAINDO DE MADURO

Perdão pelo trocadilho óbvio e nada original, mas parece que é isto o que está acontecendo na Venezuela. O presidente Nicolás Maduro está tão desesperado que agora manda prender, com toda a truculência possível, um prefeito da oposição que não tinha grandes poderes reais. Enquanto isto, a inflação dispara, a violência aumenta e falta de tudo nos supermercados. Já faltava há cinco anos, quando estive em Caracas pela última vez. Naquela época Chávez ainda nem estava oficialmente doente, mas o clima de fim de festa já era palpável nas ruas. Aconteceu por lá algo parecido com o que se passou por aqui: Maduro foi eleito por uma margem estreita de votos, e provavelmente teria perdido se a eleição fosse um mês mais tarde. Sem real apoio popular e sem nenhum talento administrativo, o presidente ainda enfrenta a queda no valor do barril de petróleo e uma população cada vez mais descontente. No fim do ano ocorrerão eleições legislativas, mas o chavismo é pródigo em inventar manobras que garantam sua vitória no tapetão. Só que a política divisiva inventada pelo falecido caudilho, o popular "nós contra eles", só dá certo quando se dispõe de ampla maioria. Quando está pau a pau, como agora, o risco de explosão é enorme. Que o Brasil não siga pelo mesmo caminho.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

BURCA DOS FUNDOS

Os canais de humor na internet se espalham feito gripe. O de maior audiência no mundo ainda é o nosso Porta dos Fundos, mas agora já existem similares até na Índia e - pasmem - na Arábia Saudita. O Sa7i (sei lá como se pronuncia) está baseado na cidade litorânea de Jeddah, mais liberal que a capital Ryadh e uma espécie de versão saudita do Rio de Janeiro. Seus vídeos quase diários às vezes ultrapassam o meio milhão de visualizações, o que é muito para um país de apenas 28 milhões de habitantes. Um de seus grandes sucessos é este aí em cima, do qual eu não entendo uma única palavra. Só sei que mostra uma família (que inclui mulheres com o rosto descoberto, olha só que putaria) discutindo o que fazer com o bônus que está sendo dado pelo novo rei. Sua majestade Salman resolveu distribuir entre seus súditos nada menos que 32 bilhões de dólares - mais do que todo o PIB da Nigéria, a maior economia da África. Não admira que por lá quase todo mundo ame o governo. Desse jeito nego ri à toa.

ESTUPIDEZ AMERICANA


Muitos críticos estão maravilhados com a suposta ambiguidade de "Sniper Americano". O filme seria a favor ou contra a intervenção americana no Iraque? Seu protagonista, o mais bem-sucedido franco-atirador da história dos EUA - com pelo menos 160 mortes no currículo - é um herói ou um vilão? Pois eu não percebi nada disso. Em nenhum momento se discute a real necessidade de se derrubar Saddam Hussein, que o governo Bush pintou como o mandante dos atentados do 11 de setembro. Saddam era terrível e mereceu o fim que teve, mas não possuía as tão faladas armas de destruição de massa - e o Iraque talvez esteja ior hoje do que sob seu jugo, com o ISIS dominando boa parte do norte do país. Tudo isso passa batido pelo roteiro, que é dos mais simplórios que eu já vi. O personagem foi educado por um pai rigoroso, que o apresenta aos rifles ainda criança; é levado a acreditar numa baboseira de que o mundo se divide entre "ovelhas", "lobos" e "pastores", e que é seu dever pertencer à última categoria; fica horrorizado quando vê as Torres Gêmeas caírem. Tudo bem mastigadinho, que é para o americano médio entender direitinho. Não é por outra razão que "Sniper Americano" já acumulou mais de 300 milhões de dólares por lá, mais do que todos os demais indicados ao Oscar de melhor filme juntos. Além do mais, não existe exatamente dilema moral nem remorso. Todas vítimas que aparecem na tela sendo derrubadas pelo atirador são de fato culpadas, o que evidentemente não aconteceu na vida real. O único drama na vida do sujeito é seu medo de morrer. Depois de quatro turnos no Iraque, ele está tão apavorado que qualquer barulhinho o apavora. De volta em casa, ele vai ensinar tiro a veteranos de guerra tão traumatizados como ele - não exatamente a ocupação ideal para gente perturbada. De produto de um meio que glorifica as armas de fogo, ele acaba se tornando vítima. Mas essa é uma constatação minha, não a dos autores do filme, que o tratam como um ídolo. "Sniper Americano" é mais um título reacionário na extensa fimografia de Clint Eastwood, e não merece nenhuma das indicações ao Oscar que recebeu. Principalmente a de Bradley Cooper, cujo único mérito foi ter ficado bombado para o papel. Ele está apagado em cena, e tirou o lugar de atores que mereciam muito mais, como Ralph Fiennes ou Jake Gylenhaal. Enfim: eu meio que sabia que não ia gostar de "Sniper Americano", e só o assisti para completar minha tabelinha do Oscar. Tomara que esse manifesto pró-estupidez saia de mãos abanando.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O CORTE DO CANTAGALO

Não sou judeu nem muçulmano, mas fui circuncidado assim que nasci. Era moda no Rio de Janeiro daquela época, importada dos Estados Unidos. Quase todos os meninos da minha geração entraram na faca. Hoje essa cirurgia já não é mais tão frequente no Brasil, e tem até inimigos. Muita gente alega que, além de não trazer nenhum benefício, a circuncisão diminui a sensibilidade e ainda deixa cicatrizes na alma (vai ver que é por isto que eu sou tão amargurado). Mas também há estudos modernos que apontam que ela reduz as chances do cara se contaminar com o HIV (mas isto não quer dizer que ele pode dispensar a camisinha, hein?). Seja como for, sempre ouvi dizer que essa pequena operação - que é feita SEM ANESTESIA nos bebês, aaaaaaiiii - facilita a higiene e blábláblá. Mas o vídeo acima explica que ela só se tornou comum nos EUA no final do século 19 pela mais tola das razões. Divulgada pelo dr. Kellogg, o mesmo dos flocos de milho, ela impediria a masturbação. Não impediu, é claro, mas esse papo colou. O mesmo doutor também defendia que se cortasse o clitóris das mulheres, como em alguns países árabes e africanos. Ainda bem que dessa elas escaparam.

CABRA OU CARNEIRO?

Está lançada a confusão. Nem os próprios chineses sabem se o ano novo que começa hoje é o do carneiro ou o da cabra. O ideograma para estes dois bichos é o mesmo, 羊 (pronuncia-se "yang"). Também há uma certa ambiguidade nos prospectos para este ano. Alguns dizem que não é um período propício para se ter bebês, tanto que milhares de grávidas na Ásia adiantaram seus partos. Outros garantem que é um ciclo de prosperidade e mudanças profundas. Oficialmente, 2015 - ou melhor, o período que começa hoje e ai até 7 de fevereiro do ano que vem - é o ano da cabra de madeira verde. Como eu não faço a puta ideia do que isto significa, vou ficar com os otimistas e acreditar que vai ser do caralho. Simples assim. Gung Hei Fat Cho para todo mundo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

BEIJA-BOSTA

As escolas de samba cariocas nunca foram conventos de freiras. O dinheiro do jogo do bicho sempre rolou solto em quase todas as grandes (a Mangueira é uma exceção), assim como a politicagem. Havia até uma certa justiça poética: os banqueiros da contravenção doando parte de seus lucros, para que os pobres das comunidades se fantasiassem com luxo e riqueza... Claro que ali não tem inocentes. Mas o patrocínio da Guiné Equatorial à Beija-Flor atingiu um nível inédito de baixeza. Pois não se trata de uma reles quadrilha, mas de todo um regime: o ditador Teodoro Obiang desvia para si mesmo boa parte da renda do petróleo do país, enquanto quase todo seu povo vive na mais completa miséria. Sem falar nas violações aos direitos humanos, na censura à imprensa, na persguição aos gays... Achei que o escândalo seria tão grande que a escola de Nilópolis pagaria caro por ter feito este pacto com o capeta. Ainda mais depois de seu desfile não ter sido lá essas coisas: Portela, Salgueiro, Tijuca e Mocidade estavam nitidamente melhores. Mas eu sou um ingênuo que ainda acredita na bondade humana. Hoje a Beija-Flor sagrou-se campeã, e ainda levou três notas 10 no quesito enredo. É a desmoralização definitiva da LIESA, a Liga das Escolas de Samba, que ainda contou com o silêncio cúmplice da Globo. Uma vergonha. Mas também coerente com esses tempos horríveis que estamos vivendo.

BIBI SITTER

Israel terá eleições em março, e também a chance de varrer o Likud do poder. Esse partido de direita, aliado a outros menores ainda mais direitistas, é um dos principais entraves à paz no Oriente Médio hoje em dia, com sua política de construir assentamentos em territórios palestinos e sua inlfexibilidade na mesa de negociação. Não gosto do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, mas achei engraçado esse comercial que ele está veiculando na TV israelense. A peça faz piada com o apelido do cara, Bibi, e trata os eleitores como crianças precisando da vigilância de um adulto responsável. Mas é menos ofensiva à inteligência do que a comida desaparecendo da mesa do trabalhador, como tivemos na nossa campanha eleitoral do ano passado. Cheguei a esta propaganda através do blog do Diogo Bercito, da Folha, que por sua vez a encontrou no Conexão Israel. Para quem se interessar, lá tem mais comerciais legendados - alguns bem irônicos.