sexta-feira, 29 de agosto de 2014

BELISQUEM-ME

A primeira reação é de descrédito. Precisei conferir o link. Mas tá mesmo lá: o programa do governo de Marina Silva apoia o casamento gay com todas as letras, além da adoção por casais do mesmo sexo e o combate à homofobia. Não sei se ela mudou suas convicções pessoais (ou "evoluiu", como disse o Obama) ou se é só estratégia eleitoral. O fato é que está no programa. E agora, Dilma? Vai deixar por isto mesmo? E você, Aécio, que já declarou apoio pessoal à causa igualitária? Como dizia a propaganda de um banco durante a Copa, isto muda o jogo.

(Ah, e em tempo: o Malafaia declarou hoje que não vota mais em Marina. Disse que ela é "muito em cima do muro". Pelo jeito , acabou de descer.)

A INVASÃO DOS EXTRA-TERRESTRES

Não sei vocês, mas eu estou me divertindo muito com a campanha eleitoral deste ano. Claro que para dar risada a gente precisa esquecer da tragédia de duas semanas atrás, mas foi ela que embaralhou tudo. Já estava previsto um embate pesado, com a popularidade da presidenta caindo junto com os indicadores econômicos; agora virou vale-tudo de MMA no gel. Nas redes sociais, amigos petistas desconstróem Marina como se ela fosse o demônio fantasiado de banqueiro. E ainda tentam taxá-la de "inexperiente" - ora, tendo sido deputada, senadora e ministra, ela já tem um currículo mais parrudo do que Lula ou Dilma quando foram eleitos. Enquanto isto, os aecistas não anotaram a placa do avião que os atropelou, e muita gente boa defende o voto em Luciana Genro (sim, porque a extrema esquerda deu suuuper certo em todos os países onde chegou ao poder). O curioso é que, entre meus mais de dois mil amigos no Feice, não vejo um só pedindo votos para Marina. Será que os marinistas existem mesmo, ou são só mais uma invenção do PIG? Você conhece algum em carne e osso?

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

CARTOLA SEM COELHO

"Magia ao Luar" é um dos filmes mais estranhos da carreira de Woody Allen. O assunto não é inédito para o diretor: será que existe algum tipo de deus, ou algo que dê transcendência à vida? Mas este tema profundo é tratado em tom de comédia ligeira, à luz de uma fotografia esplendorosa e com figurinos de dar inveja a "O Grande Gatsby". Tudo seria lindo se o roteiro não parecesse meio cru. Tive a sensação de que Woody sequer releu o primeiro tratamento, tantas são as soluções fáceis e as situações esquisitas. Por acaso alguém já viu um observatório astronômico que não tem chave na porta? Além disso, a história do mágico disposto a desmascarar a médium que está encantando uma família rica não rende as piadas que poderia, e algumas barrigas deixam "Magia ao Luar" parecer mais longo do que de fato é. Não sei o que faz Woody Allen se sentir obrigado a lançar um título por ano. Sua filmografia ficaria ainda mais sólida se ele dedicasse mais tempo a cada trabalho.

O MÉDICO É O MONSTRO


Chegamos ao ponto em que a estreia de uma nova série da TV paga é mais aguardada do que a de um filme indicado ao Oscar. E como não esperar muito de "The Knick"? A direção é do Steven Sodebergh, o protagonista é feito pelo Clive Owen e a direção de arte esmerada reconstrói a Nova York de 1900 nos mínimos detalhes. Mas os dois primeiros episódios dessa superprodução do canal Cinemax não me fisgaram. Há um excesso de sangue, tripas expostas e corpos sendo retalhados por bisturis - muito mais do que em "E.R.", que já era meio barra pesada. Isto até dava para relevar, mas o que realmente compromete o interesse do espectador é o personagem principal. Os roteiristas não devem ter lido direito o livro "Homens Difíceis", tanto que só deram defeitos para o cirurgião-estrela do hospital Knickerbocker. O doutor John Thackery é grosseiro, arrogante, racista e viciado em qualquer droga que lhe passar pela frente. Por causa deste sujeito desagradável, a perspectiva de assistir ao terceiro capítulo do seriado me parece tão atraente quanto ser operado de uma hérnia sem tomar anestesia.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

DEBATENDO O DEBATE

Debate é o tal negócio: a gente sempre acha que o nosso candidato deu um show e lacrou o cu das inimigas. Nunca vi nenhum eleitor mudar de opinião nesses confrontos antes do primeiro turno, graças ao excesso de candidatos e às regras paralisantes. Além do mais, ninguém foi especialmente mal ontem à noite. Até a Dilma falou bem, muito mais segura e focada do que na entrevista ao "Jornal Nacional" da semana passada. Já Marina soou menos "sonhática" e mais pragmática, enquanto que Aécio parecia querer transmitir entusiasmo quando a gente sabe que ele deve estar se roendo por dentro, por causa de sua queda nas pesquisas. Mas os melhores momentos vieram dos nanicos da esquerda. Adorei quando Luciana Genro pediu para tratar o candidato do PSC apenas por Everaldo, ignorando o pastor, alegando não gostar da mistura de religião com política. E meu querido Eduardo Jorge bombou nas redes sociais com sua defesa intransigente da liberação das drogas, do aborto e do casamento gay. Mas meu voto no PV balançou quando ele defendeu que o Banco Central não pode ser independente. Agora não estou mais tão convicto. Que venham outros debates.

CONGESTIONAMENTO CABOCLO

Ainda não sabemos fazer uma cerimônia de entrega de prêmios decente. Claro que o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro seria diferente se houvesse mais patrocínio e interesse das TVs abertas - há anos que a festa é transmitida apenas pelo Canal Brasil. Sem muito orçamento, a produção é inevitavelmente modesta. Mas nada disso justifica o erro crasso cometido pelos organizadores ontem à noite. De quem foi a ideia de jerico de anunciar várias categorias de uma só vez? Os nomes dos indicados saem todos embolados, e o pobre espectador é obrigado a assistir a vários discursos de agradecimento de enfiada, sem saber quem é quem e o que ganhou. Um simples gerador de caracteres já ajudaria, mas nem isso tinha. O casal Caio Blat e Maria Ribeiro até que se esforçou para recriar cenas do clássico "Todas as Mulheres do Mundo" e homenagear o grande Domingos de Oliveira. Pelo menos o melhor filme, na minha opinião, foi o grande vencedor da noite: "Faroeste Caboclo" levou sete troféus, derrotando o superestimado "O Som ao Redor". Agora, por que a premiação só acontece em agosto, oito meses depois do final do ano pelo qual os filmes estão concorrendo? Desse jeito não se influencia sequer as vendas em DVD. Vou mudar tudo isto quando eu for o presidente da Academia.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

EMMY DE MESMICE

Se eu fosse o responsável pelos Emmys, baixaria uma norma rígida para o ano que vem: proibido votar em quem já ganhou. É ruim para a própria premiação um ator vencer quatro vezes seguidas pelo mesmo papel, como aconteceu com Jim Parsons de "The Big Bang Theory", e injustíssimo com a tão falada terceira "Era de Ouro" da TV americana. Além dos resultados decepcionantes, a cerimônia em si foi a mais chocha dos últimos anos. Seth Meyers simplesmente não tem borogodó para segurar um show desse tmamanho. Tanto que, em seu melhor momento, ele não passou de coadjuvante: foi no esquete ao lado de Billy Eichner, um apresentador gay que vem fazendo muito sucesso na internet com suas corridas pelas ruas de Nova York. Ano que vem deve ser melhor: por causa do rodízio entre as grandes redes abertas dos EUA, o show será transmitido pela CBS, que provavelmente colocará Stephen Colbert, o substituto de David Letterman, como mestre-de-cerimônias. Se bem que ontem ele também foi mal...

(O Emmy também foi o tema da minha coluna no F5 desta semana)

IF I ONLY COULD I'D MAKE A DEAL WITH GOD

E aí eu descobri só hoje que a maior cantora pop britânica de todos os tempos vai fazer seus primeiros shows em mais de 35 anos, e que todos os ingressos estão esgotados desde março. Kate Bush sobe esta noite ao palco do Eventim's Apollo, em Londres, para a primeira performance de seu espetáculo inédito "Before the Dawn". Ela não está lançando disco novo nem remixando sucessos antigos: só resolveu por o nariz para fora de casa, o que já é um milagre considerável por si só. Vou ter que me contentar com o excelente documentário da BBC aí em cima, que reúne depoimentos de artistas que trabalharam com a moça ou que por ela foram influenciados (a própria nem se deu ao trabalho de falar para as câmeras - todas as suas cenas são do começo da carreira). Também vou rezar para que este show histórico saia algum dia em DVD. Talvez daqui a uns sete anos, dada a velocidade alucinante com que a reclusiva ms. Bush costuma trabalhar.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

AMADA AMÃ


Todo mundo adora filmes sobre casamentos. Todo mundo se identifica com a alegre confusão, os parentes amalucados, os preparativos que dão errado mas no fim dão certo. Foi por isto que os exibidores brasileiros traduziram "May in the Summer" como "O Casamento de May". Acontece que o filme não é bem sobre um casamento. Verdade que a protagonista está de casamento marcado na Jordânia, a terra de sua mãe e também a de seu noivo, e é para lá que ela vai com as irmãs, todas nascidas nos EUA. Só que a mãe é cristã fervorosa e avisa que não quer saber de genro muçulmano; enquanto isto, todos os membros da família entram em crises de diferentes tamanhos. Há bonitas imagens turísticas, apesar de Amã ser uma cidade feiosa. Mas o choque cultural que se anuncia nunca acontece, pois todos os personagens já são ocidentalizados demais. "O Casamento de May" acaba sendo só mais um exemplo semi-interessante dentro da safra atual de filmes pequenos e desimportantes que assola os cinemas de arte, enquanto que o circuitão continua entupido portartarugas ninjas e guardiães da galáxia.

A GALA DOS ILLUMINATTI

Nem lembrei de assistir aos VMAs ontem à noite. O seletor da minha cabeça estava virado para "True Blood". Mas não vai ter post aqui no blog sobre o episódio final da série: quem quiser saber o que eu achei vai ter que ler na "Folha" de amanhã. Então me resta falar da premiação da MTV americana, da qual só estou vendo uns pedaços online. Parece que não perdi grande coisa, nem houve um momento histórico como o beijo entre Madonna há Britney há mais de dez anos. O ponto alto foi o show de Beyoncé: ao longo de mais de 16 minutos, a diva cantou um trechinho de cada faixa de seu último álbum. A emissora só deu tamanha canja a Justin Timberlake no ano passado, o que comprova a força da sra. Carter. Também notável foi a ausência de Lady Gaga, tanto no palco como nas indicações. Duvido que seu disco de duetos com Tony Bennett lhe devolva a relevância perdida. No mais, a chatinha da Miley Cyrus ganhou o prêmio principal (ainda não entendi o que viram nessa guria) e Nicki Minaj mostrou quem é a popozuda de verdade. Agora, divertidos mesmo são os vídeos que "provam" que a cerimônia toda não passou de um grande ritual dos Illuminatti. Pelo menos existem uns gatos pingados que acham que a MTV ainda apita alguma coisa.

domingo, 24 de agosto de 2014

TUDO É MISTÉRIO NESSE TEU VOAR

Foi uma delícia devorar "Pavões Misteriosos", o livro que o jornalista André Barcinski dedicou a um período negligenciado da nossa música: 1974 a 1983, entre a era dos festivais e da Tropicália e a explosão do rock brasileiro. Foram também os anos da minha adolescência e faculdade, e, portanto, da formação do meu gosto musical. Os primeiros discos nacionais que eu comprei na vida foram justamente a estreia dos Secos & Molhados e "Atrás do Porto Tem uma Cidade", da Rita Lee - dois trabalhos que o autor considera fundamentais para o estabelecimento do pop tupiniquim, e que soam modernos até hoje. Aliás, é justamente a consolidação deste evasivo pop de que trata o livro, dando valor a figuras desprezadas pela crítica como Guilherme Arantes ou a dupla de compositores Sullivan e Massadas. Nossos anos 70 tiveram gringos fake como Morris Albert ("Feelings") e cafonices como Benito di Paula, mas também ousadias como Ney Matogrosso ou Raul Seixas, que parecem impossíveis nos dias caretas que correm. Talvez por causa da ditadura, talvez por causa da influência do exterior, o começo daquela década foi riquíssimo em álbuns importantes - o final, nem tanto. A música brasileira se pasteurizou aos poucos, e hoje raramente o sucesso e a qualidade andam juntos. "Pavões Misteriosos" ficaria ainda melhor se, a exemplo do "Noites Tropicais" de Nélson Motta, também tivesse um CD complementar. Mas quem é que ainda tem CD player? Só gente como eu, que nasceu há 10 mil anos atrás.

sábado, 23 de agosto de 2014

PRATO FRIO

"Bistrô Romantique" é o segundo filme "gastronômico" a estrear no Brasil este mês (o primeiro foi "Chef", e ainda vem mais um por aí). É uma comédia belga que parte não de uma receita, mas de uma fórmula: várias histórias de amor que se cruzam na mesma noite, num restaurante elegante de Antuérpia. A noite é da do Dia dos Namorados e o cardápio é especial. Só tem pratos que incitam a paixão, com ingredientes como ostras, aspargos e licor de rosas. Mas paixão é justamente o que falta no roteiro e na direção, mais frios do que um bife congelado. Várias situações que renderiam piadas são simplesmente desperdiçadas, e os atores sem carisma não deixam que a gente se interesse pelos personagens. Talvez seja um dado cultural - afinal, os flamengos não são exatamente conhecidos por seu humor contagiante, e vai ver que o que é considerado hilário por lá se perde na tradução. Para piorar, o final é o menos romântico possível. Pelo menos as tomadas de comida são de dar água na boca, mas para isto existem revistas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A CLEYCIANNE DA ESQUERDA

É época de eleições e as redes sociais se inflamam. Tenho amigos de todas as tendências, que é para ver se eu não me fecho em meu mundo e nada mais. Mas juro que muitas vezes eu tenho ganas de revidar as sandices que alguns proferem, tanto à esquerda quanto à direita. Melhor segurar a onda e me aliviar no blog da Zambininha, uma fictícia militante comunista de 78 anos de idade. Zambininha também é vegana, feminista, ciclista, ateia e engraçadíssima. Sua análise do rótulo da Catuaba Selvagem ou seu relato sobre a amizade que fez com um bandido já estão entre os melhores textos do ano. Vou visitá-la regularmente, assim como à Cleycianne original. A diva do Senhor voltou a postar, depois de um longo período sabático. Aleluia!

(Obrigado, João, pela graça alcançada)

O FIM DO FESTIM

Ufa. Levei mais de dois meses, mas finalmente consegui atravessar as quase mil páginas da versão de bolso de " A Feast for Crows" (em português, "O Festim dos Corvos"), o quarto volume da série que inspirou "Game of Thrones". O livro começa exatamente onde terminou a quarta temporada da TV, o que saciou por enquanto meu desespero em saber o que acontece com alguns dos personagens. Não todos: o quinto livro, "A Dança dos Dragões", não é propriamente uma continuação, mas um volume paralelo com histórias que se desenrolam simultaneamente às do quarto. A leitura também serviu para aumentar ainda mais minha admiração pelo trabalho dos roteiristas do programa da HBO. Cada um dos 45 capítulos do calhamaço renderia apenas uma ou duas cenas na telinha: fica claro o esforço de síntese da turma do "writer's room". Por outro lado, a prosa de George R. R. Martin é deliciosa. Já desisti de livros populares como os do Harry Potter porque achei-os mal escritos para dedéu. Ainda bem que este não é o caso aqui, apesar do uso de palavras como "maidenhead" - um termo para virgindade que soa medieval, mas que eu desconfio que seja inventado pelo autor. Agora vou descansar dos Sete Reinos e ler outras coisas, mas no começo do ano que vem pretendo enfrentar a "Dança", que é ainda mais longa. A próxima temporada é baseada nesses dois livros, e eu quero estar preparado como se o inverno estivesse se aproximando.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

FASILITANDO O PORTUGÊS

Sou totalmente a favor do projeto de simplificasão da ortografia elaborado pelo profesor Ernani Pimentel e aprezentado no Senado por Cyro Miranda (PSDB-GO). Sempre axei que o portugês deveria ser escrito com um mínimo de regras - uma letra por fonema e olhe lá. A nova proposta acaba com o "ç", o "ss", o "ch" e o "h" mudo, mas na verdade axo até que é tímida. Apesar de eliminar o "u" depois de "q", ela mantém esa letra no alfabeto - eu sumiria com ela e pasaria a escrever "ceijo". Mas as xanses de aprovasão são peqenas. Os paízes de língua portugeza acabaram de aprovar uma reforma que ainda nem foi de todo asimilada, e as rezistênsias ao novo projeto são grandes - vindas de jente velha que não qer reaprender, é claro. Bastaria uma jerasão para a mudansa se consolidar, e a alfabetizasão das criansas seria muito mais fásil.

PERDENDO A GRAÇA

Eu gostava da Graça Foster. Achava que sua feiúra insuperável combinava perfeitamente com sua fama de durona e competente, a "Dilma da Dilma". Mas, assim como a presidenta da república está mostrando que não é essa coca-cola toda, parece que a presidenta da Petrobrás tampouco faz jus à sua reputação. O fato dela ter transferido imóveis para os filhos ao mesmo tempo que o Cerveró, o quadro de Picasso em carne e osso, só faz levantar a suspeita de que a operacão Pasadena foi mesmo uma lambança. Claro que não é crime fazer o que ela fez, mas "não basta a mulher de César ser honesta - ela também precisa parecer honesta". Tsk, tsk.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

IL VENAIT D'AVOIR 18 ANS

Ontem aconteceu em São Paulo o desfile comemorativo dos 18 anos de carreira do meu amigo Rodrigo Rosner, e dos 6 anos de sua marca R. Rosner. Livre das amarras de uma estação específica, Rodrigo conseguiu desenhar sua melhor coleção até hoje, introduzindo materiais inusitados como o neoprene em seus suntuosos vestidos de festa. Com ele não tem essa de prêt-à-porter ou sportwear: é luxo só, do começo ao fim. Ainda não sei qual é o meu look favorito: se a dramática noiva e sua capa bordada, que parecia ter saído de um episóido de "Game of Thrones", ou se as calças douradas com blusa turquesa vinda de um futuro imaginado por Fellini. Mas claro que vou ter que emagrecer muito para entrar em qualquer um deles.

O cenário foi o Museu de Arte Sacra, que está sob nova direção e, pela primeira vez em sua longa história, abrindo as portas para eventos mundanos. Quem não deve estar gostando nada são as freiras enclausuradas do convento que ainda existe no andar superior do prédio. A noite de ontem correu sobre carretéis, mas ouvi dizer que, algumas festas atrás, uma delas se irritou tanto com o barulho vindo do jardim que não teve dúvidas: abriu a janela e atirou um penico sobre os convidados. Só não sei se cheio.

PREVIAMENTE CONHECIDA COMO

Cansado das divas do pop atual? Experimente FKA twigs: apesar de ser bonita e gostosa, essa cantora britânica não sacode a bunda nem finge fazer sexo com ursinhos de pelúcia. Até seu nome tem uma história curiosa. Nascida Tahliah Debrett Barnett, que já soa como um pseudônimo, ela preferiu adotar o apelido de twigs (em caixa baixa mesmo) por causa dos movimentos bruscos de dança que têm esse mesmo nome. Acontece que já existia uma outra twigs; ao invés de buscar um nome novo, ela preferiu acrescentar ao antigo a sigla FKA (Formerly Known As - previamente conhecida como...) FKA twigs faz uma música esquisita à primeira audição, mas que aos poucos vai se transformando em mantras. Não há refrões contagiantes nem remix para as pistas - algumas faixas do recém-lançado álbum "LP1" nem podem ser chamadas propriamente de canções. Desnecessário dizer que a crítica está babando de quatro pela moça. Eu? Ainda estou me aclimatando.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O BUDA DO ANTÚRIO

Fiz viagens de trabalho à Cidade do México durante mais de dez anos, quando eu trabalhava com propaganda. Sempre que tinha horas vagas, eu escapava para o gigantesco Museu de Antropologia. Além de ver as exposições temporárias, eu gostava de visitar minha peça favorita do acervo: a pequena estatueta maia de um deus ancião "nascendo" de uma flor. Foi uma alegria enorme revê-la em São Paulo, dentro da mostra "Mayas: Revelação de um Tempo Sem Fim". Aliás, a coleção inteira é fenomenal. Pela primeira vez, o governo mexicano juntou algumas das peças mais significativas dessa antiga cultura mesoamericana, que estavam espalhadas por vários museus. Vê-las todas juntas de uma só vez é de entortar a cabeça. A variedade de estilos é imensa, porque os maias passaram por vários períodos ao longo de mais de dois mil anos de civilização. Há objetos que parecem egípcios, africanos ou orientais (como o meu "buda do antúrio"), além de muitos outros que não poderiam ter sido feitos em nenhum outro lugar. A mostra fica na Oca do Parque Ibirapuera só até domingo, 24 de agosto, e depois segue para Paris. Como a entrada é franca, quem não viu deve se apressar.

OLHO MAIOR QUE A BARRIGA


Eu me deixei enganar. O trailer simpático e o elenco de estrelas me levaram a crer que "Chef" era uma comédia sofisticada, só que o filme não passa de fast food requentado. O roteiro é previsível e preguiçoso: o fiapo de conflito se resolve fácil demais, e inúmeras oportunidades de piada são perdidas. O protagonista feito por Jon Favreau comete erros muito básicos para serem críveis, o que não seria grave nas mãos de um ator mais competente. Há uma boa razão para Favreau ter praticamente deixado de atuar e voltado sua carreira para a direção (além deste filme, ele também é o responsável pela trilogia "Homem de Ferro"): o cara não tem carisma. Mas tem muitos amigos e alguma influência, o que lhe deu carta branca para cometer essa bobagem. "Chef" tem lá seus momentos memoráveis de food porn (impossível sair do cinema sem vontade de experimentar um sanduíche cubano), mas nem chega a ser indigesto. É só insosso mesmo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A HILLARY PERNAMBUCANA

Minha primeira reação foi de horror ao saber que Renata Campos está cotadíssima para assumir a vaga de vice na chapa encabeçada por Marina Silva. Achei um tremendo golpe baixo: quer dizer então que o PSB vai se aproveitar da comoção nacional pela morte de Eduardo e colocar sua inexperiente viúva para disputar o segundo cargo mais importante da república? Isto é chantagem emocional eleitoreira! Acontece que Renata não é tão inexperiente assim. Além de formada em economia e auditora do TCE de Pernambuco, ela também seria a metade do cérebro político de seu marido. A Hillary. A Claire. E estaria mesmo interessada em concorrer - o que explicaria o fato de ter posado para tantos selfies no quase festivo funeral de ontem. Em termos de marketing, faz todo o sentido tê-la ao lado de Marina Silva. Renata simbolizaria a continuidade das ideias de Eduardo, o mais novo santo brasileiro. Também gosto de uma chapa formada só porr mulheres, algo talvez inédito no mundo. Só espero que os marqueteiros da campanha não a obriguem a pintar o cabelo: qual o problema de alguém aparentar a idade que realmente tem?

O PAU NOSSO DE CADA DIA

Está causando celeuma nas redes sociais o novo projeto do artista de performance Mischa Badasyan. "Save the Date" começará no dia 1o. de setembro: durante um ano, todos os dias, o moçoilo fará sexo com um cara diferente em algum lugar de pegação. Um "não-lugar", como ele mesmo diz - um parque, uma sauna, qualquer local onde a identidade se dissolva - até que ele mesmo se torne também um "não-lugar". As trepadas não serão filmadas, mas Mischa irá descrevê-las em detalhes num blog, e ainda coletará um suvenir de cada presa abatida. Não vou condená-lo, de jeito nenhum: sou totalmente a favor de que todo mundo transe com todo mundo. Só acho bastante otimista um cara feioso como ele achar que todo dia vai encontrar alguém disposto a encará-lo. Mas enfim, tem gosto para tudo. Na verdade, conheço gente que já faz este tipo de maratona há tempos, e nem por isto se diz artista.

domingo, 17 de agosto de 2014

MEU BEM VOCÊ ME DÁ ÁGUA NA BOCA

Muita gente implica com o "comercial". O filme blockbuster, a música para tocar no rádio, a telenovela. Acontece que quando o "comercial" é bem feito, é irresistível feito um bolo de chocolate. Não traz nada de inovador nem muda a vida de ninguém: só é bom pra caralho. A versão musical de "Se Eu Fosse Você" cumpre todos os quesitos para se encaixar nessa categoria, sem subestimar a inteligência da plateia um segundo sequer. A comédia de maior sucesso de todos os tempos do cinema brasileiro ganha vida no palco ao som de algumas das melhores músicas de Rita Lee (nem todas sucessos conhecidíssimos), que se encaixam na trama tão bem que até ajudam a contá-la. Um tributo à nossa rainha do rock muito mais certeiro que o pífio "Rita Lee Mora ao Lado". O elenco principal é assombroso. Nenhuma surpresa com Cláudia Neto e Fafy Siqueira, que arrasam faz tempo. Mas Nelson Freitas me foi uma revelação: eu, que praticamente só o conhecia do "Zorra Total", quase caí da cadeira ao vê-lo cantar com voz firme, dançar incrivelmente bem e ainda exibir um corpaço aos 52 anos. Como se não bastasse, o texto ainda está cheio de piadas boas. "Se Eu Fosse Você - o Musical" é mais um sinal da maturidade que nosso teatro está atingindo nesse gênero, sem dever nada aos importados da Broadway. Comercial, sim, e com muita honra. Um bolo de dar água na boca.

sábado, 16 de agosto de 2014

AMANTES ORTODOXOS

Três anos atrás, um filme grego exibido no festival MixBrasil me seduziu. "Terra Negra" contava a história do amor entre um soldado e uma freira, que na verdade era um rapaz disfarçado - tem como não amar? Depois disso fui para a Grécia e visitei umas duzentas igrejas ortodoxas. Tudo isto me tornou presa fácil para "Meteora", o primeiro filme grego a estrear em São Paulo desde sei lá quando. Aqui também há uma história de amor clandestino, dessa vez entre um padre e uma freira (a Igreja Ortodoxa até que tem muitos sacerdotes casados, mas eles já precisam sê-lo antes de serem ordenados). Os tempos são lentos como era de se esperar, e há lindos ícones animados que são a melhor coisa do filme. Mas "Meteora" se passa nos dias atuais, e isto quebra muito o encanto. Principalmente quando o diretor resolve mostrar o passo a passo da confecção de um cozido de carne de cabra, começando pelo abate do bicho.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O DEUS DA CARNIFICINA

O PT fez de tudo para melar a Rede de Marina Silva. Há relatos de que foram os cartórios eleitorais do ABC paulista, controlados por petistas, que recusaram as assinaturas coletadas pelos asseclas de Marina, inviabilizando a criação de seu partido a tempo hábil para as eleições deste ano. É realmente de se estranhar que partidecos artificiais e nitidamente de aluguel como o Pros ou o Solidariedade tenham saído rápido do papel, enquanto que um nome representativo como o de Marina Silva tenha ficado a ver navios. Ela tentou um golpe de mestre ao se aliar a Eduardo Campos, que no entanto pareceu não ter surtido muito efeito: o nome dele não decolou nas pesquisas (se bem que feitas antes do início do horário gratuito na TV). Agora veio o golpe de sorte, pelo menos para ela: Marina provavelmente será a cabeça da chapa da coligação liderada pelo PSB, muito maior do que a que a Rede poderia conseguir. É um pesadelo para Dilma, pois praticamente garante o segundo turno. E não deixa de ser para Aécio, que com isto passa a ser apenas o terceiro candidato mais conhecido. Parece até que existe um desígnio divino, exigindo que Marina Silva concorra à presidência em outubro. Mas de um deus cruel, capaz de enlutar em sete famílias para conseguir seus objetivos.

ADAGUE DERRORISTA

E dando prosseguimento ao assunto "Rir para Não Chorar": o riso é tão temido porque ele é, de fato, uma arma. Um exemplo curioso disto está acontecendo neste momento em Israel, como informa o blog do Diogo Bercito, correspondente da "Folha" em Jerusalém. Por incrível que pareça, uma canção antissionista do Hamas virou hit nas rádios e está gerando dezenas de paródias no YouTube. A música já existia em árabe há alguns anos, e a letra singela fala em "exterminar o ninho das baratas". Aí um gênio do marketing palestino teve a ideia de gravá-la em hebraico, para tocar o terror no coração dos israelenses. Só que o sotaque dos cantores não é perfeito: por exemplo, a palavra "piguiim" ("ataque terrorista") saiu como "biguiiim" (algo como "adague derrorista"). Foi o suficiente para os judeus adotarem esse hino à guerra como uma espécie de "Beijinho no Ombro" da Faixa de Gaza: tosco, pretensioso, e, por isto mesmo, engraçado. Claro que essa reação inusitada também é um mecanismo psicológico para lidar com o medo  das bombas, mas o que importa é que mais um tiro do Hamas saiu pela culatríssima. Essa organização medieval merece todo o sarro que se tirar dela.