sábado, 20 de dezembro de 2014

CORAÇÃO VAZADO

Estratégia de marketing ou acidente de percurso? Vivemos tempos tão cínicos que não sei mais se o vazamento de faixas inacabadas do novo CD de Madonna no começo da semana foi proposital ou não. Ela reclamou nas redes sociais que estava tendo sua integridade artística violada e disponibilizou na madrugada de hoje, na surdina, as seis primeiras faixas de "Rebel Heart". O álbum completo só sai em março, mas já dá para se ter uma boa ideia. Todo trabalho novo de Madonna é aguardado com a anisedade dos hebreus esperando Moisés descer do Monte Sinai, e, por isto mesmo, todo trabalho novo de Madonna invariavelmente desaponta. Ela adora dizer que está sempre se "reinventando", mas essa reinvenção nunca é radical. Não estou dizendo que ela deveria se aventurar pela cumbia ou cantar ópera. Mas, mesmo no universo limitado da dance music, Madonna se mantém dentro dos limites que traçou para si mesma há mais de 30 anos. Ela ainda se refere a si mesma como "garota" aos 56 anos de idade, e isto me cansa um pouco. Dito isto, as músicas novas até que são bastante boas. O futuro single "Living for Love" não soa como nada do que ela fez antes, apesar da letra repisar a temática da mulher desprezada/vingativa. "Illuminati" vai pirar o cabeção dos 5Dravers da vida, e "Bitch I'm Madonna" traz mais uma participação da exaustiva Nicki Minaj, além de insistir naquele mantra de "eu sou a melhor" que meio que já deu. Mas nada é ruim, pelo contrário: Madonna continua com critério. Não está reinventado a roda, porque nunca foi exatamente uma inovadora. Mas sempre fez pop de qualidade acompanhando as tendências do momento, e nesse quesito "Rebel Heart" não deve decepcionar (dá para ouvir as faixas novas aqui, e sem gastar um tostão).

FÉRIAS NO ESCURO

Já estou de férias de fim de ano, mas ainda não viajei. Então, tenho aproveitado o tempo livre para ir muito ao cinema - mais até do que de costume. Mas nada do que eu tenho visto é sensacional, portanto nenhum desses filmes vai ganhar post exclusivo. Só essas mini-críticas (para assistir ao trailer, clique no título do filme).

O diretor Jason Reitman chegou a ser saudado como uma das promessas do cinema americano. Mas "Homens, Mulheres e Filhos", seu quinto longa, foi mal de público e crítica. O roteiro entrelaça adultos e adolescentes, todos se fodendo de alguma maneira graças à internet. Tem o rapaz viciado em games, a esposa insatisfeita em busca de uma aventura e muitos outros clichês. Tampouco é novidade reclamar que passamos mais tempo olhando para as telas dos smartphones do que uns para os outros. Mas o filme não chega a ser horrível como eu esperava: deu pro gasto.

Não vou a filmes infantis desde que meus sobrinhos cresceram, mas abri uma exceção para "Uma Viagem Extraordinária". Porque o diretor é ninguém menos que o francês Jean-Pierre Jeunet, o esteta que brindou o mundo com "Amélie". Ele continua caprichando na direção de arte e no casting bizarro, mas a história não é lá muito para crianças. O irmão gêmeo do pequeno protagonista morre num acidente de tiro, que tal? Se bem que é esse lado sombrio que torna o filme original.

Agora, inexplicável mesmo é "Karen Chora no Ônibus" ter chegado aos cinemas brasileiros. Este filme colombiano de quatro anos atrás não ganhou nenhum prêmio importante e é francamente ruim. Já vimos milhões de vezes a volta por cima da mulher descasada que refaz sua vida do zero. Mas talvez nunca tivéssemos visto com atores tão ruins, nem com um diretor lacônico que acha que é moderno não usar trilha sonora. Esta bomba previsível e pretensiosa é sério candidato a pior filme de 2014. Fuja como se fosse de um ataque das Farc.

"Trinta" segue a moda atual das cinebiografias: ao invés de contar a vida do sujeito do berço ao túmulo, foca num único momento-chave. No caso do maior carnavalesco de todos os tempos, é o seu primeiro desfile como titular: o do Salgueiro em 1974, tido como um divisor de águas na história do carnaval. O recorte funciona, graças a uma estrutura clássica e a interpretações sólidas (Matheus Nachtergaele dá um piti lá pelas tantas que vai entrar para a história do cinema brasileiro). Faltou um mergulho mais profundo na alma de Joãosinho Trinta, mas funciona como entretenimento. Pena que esteja indo mal de bilheteria...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

SOZINHO E DE MÃOS ABANANDO

Nunca achei que "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" tivesse grandes chances no Oscar. O filme é fofo, mas peso-pluma demais para comover a Academia. Minha previsão se confirmou: hoje foi divulgada a lista com os nove pré-indicados na categoria de melhor filme em língua estrangeira, e mais uma vez o Brasil ficou de fora. O que não chega a ser um demérito, porque vários títulos badalados também est∫ao voltando de mãos vazias para casa: o belga "Dois Dias, Uma Noite", o turco "Sono de Inverno" (que venceu o festival de Cannes) e até meu queridinho "Mommy", do Canadá.

O fato é que a lista não traz grandes surpresas. Quase todos os bem-cotados estão lá, inclusive "Timbuktu" - o primeiro filme inscrito pela Mauritânia, sobre a invasão de uma milícia islâmica naquela histórica cidade africana. Também é notável a inclusão de dois latino-americanos. O venezuelano "El Libertador" é uma superprodução caretona sobre Bolívar e não deve ficar entre os cinco finalistas. Mas o argentino "Relatos Selvagens" já desponta como um dos favoritos (para mim é o melhor do ano).

Seu maior adversário deve ser o polonês "Ida", que estreia no Brasil na semana que vem. Aliás, é curioso como três ex-repúblicas soviéticas emplacaram na lista: Rússia, Estônia e Geórgia comparecem com dramas áridos. O grupo se completa com o drama de tribunal "Lucia de B." (Holanda) e, ocupando a vaga sempre reservada para a Escandinávia, "Force Majeure" (Suécia). Claro que eu quero ver todos.

PERSONALIDADES ARCO-ÍRIS

O Guia Gay de São Paulo divulgou hoje sua lista dos 10 LGBT mais influentes da cidade. Não, não estou entre eles, mas sou uma das 37 "personalidades arco-íris" que participaram da votação. Alguns dos meus eleitos chegaram à lista final: Silvetty Montila, André Pomba, Todd Tomorrow e Pedro HMC. Na verdade, se eu tivesse que escolher apenas um, seria o Pedro - não porque ele tenha sido O mais influente de todos (isso é quase impossível de se medir), mas porque seu canal Põe na Roda nasceu e cresceu este ano. Não votei em dois amigos queridos que estão nos primeiros lugares simplesmente porque acho que eles já são hors concours: os Andrés Almada e Fischer estão entre os LGBT mais influentes de São Paulo de todos os tempos, ponto. Nenhuma mulher ficou entre os finalistas, e a culpa disto também é minha: não votei em nenhuma lésbica porque circulo pouquíssimo entre elas e desconheço as principais lideranças. Mas me arrependo de não ter votado na Barbara Gancia, uma das pessoas mais brilhantes que eu conheço, gay ou não. E você, quem você acha que devia estar na lista? E quem não devia? Valendo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

#PNCDCDN

Então agora é assim: se você não gostar de um filme, uma reportagem ou uma simples postagem nas redes sociais, não precisa mais gastar dinheiro com advogados. Basta contratar um hacker, invadir os computadores de quem supostamente lhe ofendeu e ainda ameaçar um ataque terrorista. Foi o que fez a Coreia do Norte, plenamente bem-sucedida até o momento em seu intuito de tirar a comédia "The Interview" de circulação. A Sony não só cancelou o lançamento em salas como também em DVD ou VOD. Esse é o maior ataque à liberdade de expressão no Ocidente por um país estrangeiro desde que o aiatolá Khomeini decretou uma fatwa contra o escritor Salman Rushdie em 1989, amedrontando editores mundo afora (inclusive no Brasil, onde o livro "Os Versos Satânicos" só foi lançado muito tempo depois). Enquanto que a imprensa fica se deliciando com as fofoquinhas proporcionadas pelos e-mails vazados da produtora, um paiseco ditatorial conseguiu derrotar um dos valores mais caros da nossa civilização. Fora que o filme em si parece ser uma bobagem: as críticas que chegaram a sair são ruins, e os assassinos de Kim Jong-Ill acabam ficando amiguinhos de sua vítima. Mesmo assim, vou divulgar o link pirata assim que cair na rede. #PNCDCDN *!

(* Pau no cu da Coreia do Norte - no mau sentido, é claro.)

O LADRÃO DA DIGNIDADE

A absolvição de Paulo Maluf é bem mais grave do que parece. Porque tem o dedo podre do governo nela: foi Dias Toffoli, presidente do TSE e desde sempre ligado ao PT, quem mandou o ministro Admar Gonzaga numa importantíssima e inadiável viagem às vésperas do Natal. Aí foi só substituí-lo  e pronto! Placar virado! Maluf não é mais ficha suja e poderá voltar à Câmara de Deputados, onde seu partido - supostamente de direita - fornecerá os apoios necessários ao 2o. mandato da Dilma. De nada adiantou o Deutsche Bank devolver uma bolada à Prefeitura de São Paulo, num sinal mais do que explícito de que o ex-prefeito é ladrão. Vamos repetir em alto e bom som, já que nesse país pode tudo e ninguém é culpado de nada: MALUF É LADRÃO. Como se não bastasse, ele agora roubou a pouca dignidade que nos restava.

A FUNDO PERDIDO

Tem coisa mais fofa do que essa campanha promovida pela militância petista para que todos comprem ações da Petrobrás? O mais divertido são aqueles que se jogam no ativismo virtual, mas na hora do vamovê dizem que estão sem dinheiro. E claro que a cotação da empresa na Bolsa não subiu um pentelhésimo, porque os investidores sérios sabem que o buraco por lá é bem mais fundo que o mais fundo dos pré-sais. Agora, patética mesmo é a defesa de que, com corrupção e tudo, a Petrobrás ainda é "nossa". Sim, nossa: nossos impostos, nossa decepção, nossa vergonha.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

SIN EMBARGO

Obama só tem mais dois anos de mandato e nenhuma eleição pela frente, e resolveu botar para quebrar. Tal como um paciente desenganado, o presidente dos Estados Unidos está fazendo tudo o que tem vontade, de olho no seu legado para a história. Internamente, ele já fez muito: o Obamacare, ainda que imperfeito, é um avanço e tanto para a única democracia ocidental que não cuidava da saúde de seus cidadãos. Mas Obama quer mais: quer ser lembrado como uma versão moderna e honesta de Richard Nixon, que restabeleceu relações diplomáticas com a China em 1972. O reatamento com Cuba, num primeiro instante, não irá muito além da troca de embaixadores. A derrubada do embargo econômico depende do Congresso, que a partir do ano que vem estará inteiramente nas mãos dos republicanos. E estes, apesar de bem mais favoráveis ao livre comércio do que os democratas, podem muito bem ir contra Obama só para serem do contra. Tolinhos: não dou dois anos de sobrevida ao regime comunista depois que abrirem o primeiro Starbucks na ilha. Minha querida Yoani Sánchez, vista por tanta gente como lacaia do imperialismo ianque, acha que os EUA abriram as pernas e deram mais uma vitória aos irmãos Castro. Vou discordar dela dessa vez. Era simplesmente absurdo, mais de vinte anos depois do fim da Guerra Fria, que dois países tão próximos continuassem "de mal". E não duvido nada que Obama tente mais um feito diplomático para a reta final de sua presidência: a reconciliação com o Irã.

TODAS AS FAMÍLIAS EXISTEM

A Câmara de Deputados deve votar hoje o tenebroso Estatuto da Família, que não só redefiniria a união entre homem e mulher como o único arranjo familiar possível como ainda proibiria a adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Seria um gigantesco passo atrás, digno de republiquetas africanas. A enquete que rolou na internet terminou com ligeira vantagem para o lado do bem, mas isto não quer dizer muita coisa. Apesar da intensa campanha promovida por militantes progressistas - o vídeo acima, dirigido pelo João Junior, é um ótimo exemplo - parece que a intenção dos nossos nobres congressistas é mesmo aprovar tal descalabro, para forçar a Dilma a vetá-lo. Há uma parte de mim torce por isto: a presidenta precisa fazer alguma coisa prática em prol dos homossexuais, ao invés de só usar-nos politicamente quando isto lhe convém. Mas há uma parte que não, porque não quero viver num país onde se aprova uma lei que prefere que crianças órfãs mofem nos orfanatos do que sejam criadas por casais gays.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

POR ISTO EU SOU VINGATIVA

Alguém aí tem o zapzap da macumbeira da Jennifer Aniston? Nove anos depois de ter sido chutada pelo Brad Pitt, a eterna Rachel conseguiu mandar um vudu daqueles para cima da rival Angelina Jolie. Para começar, "Unbroken", o novo filme dirigido pela atual sra. Pitt, ficou de fora da maioria das premiações que antecedem o Oscar. Também vazou um e-mail em que executivos da Sony a chamam de moleca mimada e sem talento. Como se não bastasse, Angelina pegou catapora de algum de seus 27 filhos - vai ter que ficar de molho, e de fora de uma série de eventos para promover seu filme. Enquanto isto, Jennifer, belíssima, foi indicada a melhor atriz tanto pelo Globo de Ouro como pelo SAG, o sindicato dos atores, pela comédia dramática "Cake". Ah, nada como um dia depois do outro.

TORTURA NA TELA


Discutir a tortura está na ordem do dia. No Brasil, a conclusão dos trabalhos da Comissão da Verdade vem provocando reações à direita e à esquerda. Nos Estados Unidos, a admissão de algo que todo mundo já sabia - torturou-se à pampa depois do 11 de setembro - também reacendeu um debate que não tem hora para terminar. No meio disso tudo, estreia "Uma Longa Viagem", um filme onde a tortura é protagonista. A história é boa: assombrado pelo sofrimento que passou num campo de concentraçnao japonês quando jovem, um ex-soldado britânico vai atrás de seu algoz em busca de um acerto de contas. Mas a realização deixa muito a desejar. Apesar do elenco oscarizado e da boa reconstituição de época, o filme parece querer se esticar ao máximo, ocupando muito tempo com cenas melancólicas e vagarosas. A meditação sobre vingança e perdão, que deveria acontecer dentro da cabeça do espectador, é explicitada na tela a mais não poder. Fugi aliviado quando acenderam as luzes.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

VITÓRIA ORGULHOSA

Viktoria Modesta vem lançando discos desde 2010 e, dois anos depois, cantou na cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos de Londres. Mas só agora ficou mundialmente famosa, graças a uma maciça campanha publicitária do Channel Four britânico. Nascida na Lituânia e criada na Inglaterra, a moça tinha um defeito congênito na perna esquerda - tão grave que ela resolveu amputá-la aos 20 anos de idade, e assim se locomover melhor. E, meu, como ela se locomove. Promovida como "a primeira popstar biônica do mundo", Viktoria ganhou as manchetes do planeta e os corações de muita gente. Mas claaaro que, em tempos de internet, tem nego reclamando que é "só marketing" e que ela estaria "glamurizando a deficiência". Como diria Silvetty Montilla, meu cu, n'est-ce pas? É marketing sim, mas por uma causa excelente: a plena inclusão dos PPDs na sociedade. E é glamurização sim, e desde quando isso é ruim? Fora que uma perna-agulha como a dela me viria a calhar em alguns momentos. Ah, e a música? A música é o de menos. Essa vitoriosa não precisa ser modesta.

MEMÓRIAS DE UM MASTODONTE

Gérard Depardieu é a maior estrela masculina do cinema francês de todos os tempos, maior até do que os míticos Belmondo e Delon. Há mais de quarenta anos que ele domina as telas de seu país de um jeito só comparável a Ricardo Darín na Argentina. Sua personalidade longe das câmeras também é gigantesca: GéGé está sempre metido em alguma confusão, seja uma mijada no corredor de um avião, seja sua esquisita amizade com Vladimir Putin. Os dois assuntos são citados em sua autobiografia, "Ça s'est Fait Comme Ça" (em tradução livre, algo como "é assim que se faz"). Os capítulos são curtos e o texto é absolutamente coloquial - provavelmente uma transcrição bastante literal do que Depardieu disse a seu ghost writer. Infância, juventude e início da carreira são contados com riqueza de detalhes. Há até um certo exagero na pobreza extrema da família (o pai vivia bêbado, a mãe vivia grávida). Ele também confirma que deixava que lhe chupassem o bite em troca de dinheiro, além de confessar uma infinidade de pequenos furtos e contravenções. Mas, depois de alcançar o sucesso antes dos 25 anos, a memória de Depardieu se torna seletiva e começa a dar pulos. E a grande tragédia de sua vida - a morte do filho Guillaume, viciado em drogas - nunca é esmiuçada, apesar do evidente arrependimento do ator em não ter dado a devida atenção ao rapaz. Gérard Depardieu não é um sujeito adorável. Sua admiração pela proto-ditadura russa (ele chega a atacar o Pussy Riot) é nojenta, e sua relação com esposas e filhos continua complicada. Terminado o livro, uma certeza: o ego dele é ainda mais colossal do que a barriga.

domingo, 14 de dezembro de 2014

NOW ALL OUR MISTAKES ARE BEHIND US

Trabalhei muitos anos com a Procter & Gamble, e posso garantir: não é um cliente fácil. Não estão abertos a ideias ousadas e testam tudo um milhão de vezes antes de por no ar. Mas isto não quer dizer que a empresa em si seja conservadora. A P&G foi uma das primeiras a garantir plenos direitos a seus funcionários gays, como plano de saúde para os cônjuges, e há muitas bibas em cargos de diretoria. Por isto, não chega a me surpreender este comercial de Tide que eles estão veiculando no Canadá. Para quem não entende inglês: no final, o barbudo diz que o produto lava todos os seus erros do passado. O namorado responde, tipo sua cueca samba-canção? E o barbudo responde: tipo seu ex.

Ah, e como é que sabemos que estamos no Canadá? Repare na quantidade de frascos de maple syrup que o casalzinho tem no armário...

E OS VERMES GIGANTES?


Acabou. Acabou. Graças a Deus, acabou. Nunca mais teremos que visitar a Terra-Média no cinema. A não ser que resolvam transformar a orelha de algum livro esquecido de J. R. Tolkien em mais uma trilogia, claro. Mas podem transformar à vontade, proque não me pegam mais. "O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos" esgotou toda a minha paciência para com este universo. O filme é ruim, ponto. O mais caro filme ruim de todos os tempos. A tal batalha do título ocupa quase todas as duas horas e meia de duração. É o suficiente para esquecermos porque os tais cinco exércitos (só contei três) estão brigando. Os próprios produtores parecem perder o fio da meada: lá pelas tantas, parou tudo porque emergem da terra os temíveis vermes gigantes. Pânico! Aí os vermes gigantes vão embora. A luta recomeça. Mas a qualquer momento, os vermes gigantes podem voltar! Mas não voltam. E a luta continua. Os malvados morrem em segundos, os bonzinhos levam hooooras para dar o último suspiro. Fora que os diálogos são pésssimos e as atuações, piores. Mas cuidado, os vermes gigantes podem reaparecer a qualquer momento! E aí a batalha termina, e Bilbo volta para casa, e a história se conecta com a do "Senhor dos Anéis". Fim. Ufa, acabou. Saí aliviado, para nunca mais voltar. Mas a pergunta continua a perfurar a minha cabeça: e os vermes gigantes??

sábado, 13 de dezembro de 2014

THE CLOSER I GET TO YOU

Sou totalmente contra o "outing" - a tirada do armário à força - mas com uma única e honrosa exceção. Gays enrustidos que trabalham contra os direitos gays merecem ser arrancados de seu cômodo escurinho e expostos ao ridículo na luz do dia. Não por serem gays, é claro, mas por serem hipócritas filhos da puta dignos de desprezo. É o caso de Florian Phillippot, dirigente do partido francês de extrema-direita Front National, uma organização que só não pode ser chamada de nazista porque não usa a suástica. Philippot foi flagrado pela revista "Closer", uma variante local da "Caras", andando de mãos dadas em Viena com seu namorado - um apresentador de TV não identificado - crente de que ninguém os conhecia por ali. Seu partido não negou o casinho, mas reclamou lançando mão de um argumento comum na França: o direito à privacidade. Tradicionalmente, a imprensa de lá não se mete na vida particular dos políticos. Foi o que possibilitou ao ex-presidente François Mitterrand ter uma segunda família durante anos a fio, o que só foi revelado depois de sua morte. Mas os tempos mudaram, e, há cerca de um ano, o casamento do atual presidente, François Hollande, ruiu quando saiu a notícia de que ele era amante da atriz Julie Gayet.

Acontece que o "affair" Philippot só pode ser considerado um atentado à privacidade se acharmos duas coisas: 1) ser gay é imoral, mas... 2) o fato dele ser gay não afeta a vida de ninguém. Esta equação vale para os casos extraconjugais (o sujeito ter uma amante vai contra a moral vigente, mas por outro lado esse pecadilho só atinge as pessoas de sua família). Mas para um político gay que milita num partido estridentemente anti-homossexual? Primeiro que ser gay não é crime nem pecado. Segundo que, sim, o fato dele ser gay afeta a vida de milhões, pois ele também é contra os direitos igualitários. Não é só a homofobia internalizada que leva esse tipos a lutarem contra si mesmos. Philippot pode muito bem concordar com a agenda racista, autoritária e atrasada do FN, e achar que não precisa se casar no civil para ser feliz com seu bofe. É a velha história do "faça o que quiser, mas seja discreto". As fotos da "Closer" estão causando um grande debate na França, um país bastante dividido quanto aos gays. A carreira política de Philippot talvez esteja liquidada: seus eleitores são boçais e não devem perdoá-lo. Mas será que o próprio Front National sairá prejudicado? Acho que não. O apoio ao partido é muito amplo e não se evaporaria com um único escândalo. Vamos imaginar se acontecesse algo semelhante por aqui. Se, digamos, o Feliciano fosse pego por um paparazzo com a boca na botija. Ele cairia em desgraça e seria alvo de escárnio, mas a ideologia que existe por trás dele continuaria firme. Pois, como vimos nos comentários pró-Bolsonaro dos últimos dias, a escrotidão está entranhada na alma brasileira.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

VENENOSA, ÊÊÊÊÊ

Venina Velosa parece nome inventado para ser dito rapidamente e soar como "venenosa". Mas o veneno espalhado pela ex-diretora de abastecimento da Petrobrás pode ser benigno, e acelerar o processo de depuração da empresa. Que, mesmo na remota hipótese de se recompor a médio prazo, vai ter muita dificuldade em explorar o pré-sal. A extração do petróleo submarino brasileiro é caríssima, e não vale a pena quando o barril sai por 70 dólares, como agora. Aliás, sabe porque o "ouro negro" (eita expressão cafona) anda tão barato? Não só os Estados Unidos e o Canadá andaram descobrindo muitas reservas nas areias xistosas, como a Arábia Saudita, dona das maiores reservas do mundo, resolveu fazer liquidação. Não por generosidade, mas muito pelo contrário: com o petróleo mais em conta, a pesquisa por novos combustíveis anda mais devagar. E assim garante mais um tempo de sobrevida à ditadura teocrática mais repressiva do mundo, epicentro da ideologia (e, dizem as más línguas, também do financiamento) que sustenta a al-Qaeda e o ISIS. Marina Silva tinha razão: o petróleo é uma merda, e o mundo só tem a ganhar se conseguir se livrar dele.

CUIDADO COM OS GÊMEOS

Bons tempos em que havia rumores de que o príncipe Albert de Mônaco seria amante de Ayrton Senna. Hoje o soberano de um dos menores países do mundo é o pai de uma extensa prole, incluindo dois bastardos sem direito ao trono (mas com direito à sua imensa fortuna, obaaa). Ontem finalmente Albert ganhou um herdeiro: Jacques, o segundo a nascer, alguns minutos depois de sua irmã gêmea Gabrielle. Como em Mônaco ainda vigora a lei sálica, a menina só seria a próxima regente na ausência de um varão. O próprio Albert é mais novo que sua irmã Caroline. Agora é torcer para que os pimpolhos cresçam fortes e saudáveis e sigam a tradição dos Grimaldi, protagonizando escândalos e mantendo o principado nas revistas de fofoca.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

LANÇA PERFUME


Acho que desde o começo dos anos 70, quando os andróginos dominaram o mundo, que a música pop não passava por uma fase tão viada. Toda semana surge um novo cantor gay, e um deles (Sam Smith) já é um dos favoritos para o próximo Grammy. Perfume Genius também está causando, se bem que numa escala bem mais alternativa. Nascido Mike Hadreas, o moço lançou "Too Bright", seu terceiro álbum, há alguns meses. A capa sugere um som dançante à la Scissor Sisters, mas a pegada da maioria das faixas é meio melancólica e requer muita atenção. Ele também está ficando famosinho por causa dos vídeos atrevidos: "Hard", de seu disco anterior, mostrava-o tendoo s cabelos escovados pelo falecido pornstar Arpad Miklos. Perfume Genius exala aquela carência desesperada de outras bibas vocalistas, e isto me cansa um pouco. Mas a solidão é uma parte inextricável da experiência homossexual. Que bom que cada vez mais há artistas capazes de expressá-la.

GLOBOS REPÓRTER

Vamos falar de coisa boa? O lamaçal da política brasileira hoje perdeu espaço hoje no meu HD cerebral para as indicações do Globo de Ouro. A indústria de entretenimento americana é tão fabulosa que, mesmo com categorias separadas para drama e comédia em cinema e TV, é enorme o número de injustiçados. Algumas dessas injustiças são até bem-vindas: "Modern Family", apesar de manter a excelência em seu quinto ano de existência, foi totalmente esqucido, abrindo espaço para séries e caras novas. Também me intrigou a ausência de estrelas como Angelina Jolie (que poderia ter emplacado tanto como diretora por "Unbroken" ou atriz por "Malévola") ou Julia Roberts (pelo telefilme "The Normal Heart"). Explico: o pessoal da Associação da Imprensa Estranegira de Hollywood, que vota nos indicados e vencedores, costuma não resistir ao brilho das estrelas, e quer sempre garantir a presença do maior número delas no jantar da entrega de prêmios. Mas dessa vez parece que não se deixaram ofuscar, um sinal de maturidade - ou talvez de juventude, já que os velhinhos devem estar morrendo e uma nova geração de jornalistas assumindo seus lugares. A lista completa de felizardos pode ser conferida aqui, e funciona muito como uma prévia do Oscar. Mas, nos últimos anos, a cerimônia dos GG tem sido bem mais divertida do que a da Academia. Muito por causa da dupla Tina Fey e Amy Poehler, que serão as apresentadoras pela terceira e última vez. Daqui a exatamente um mês, no dia 11 de janeiro, não me convidem para nada: minha agenda já está bloqueada.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

ROSEANA LARGA O OSSO

Quem é que renuncia a um mandato quando faltam apenas 21 dias? Roseana Sarney renunciou. Sua assessoria alegou "razões médicas", e de fato a agora ex-governadora do Maranhão tem uma extensa ficha médica, repleta de recaídas de câncer. Mas, a não ser que ela seja internada amanhã, tem treta aí. Algum escândalo (mais um) prestes a explodir? Ou ela simplesmente quer adiantar o feriadão do final de ano e curtir logo a ilha particular da família? De qualquer forma, é curioso que iniciaremos 2015 sem nenhum Sarney num cargo público de destaque. Mas será possível que o clã mais nocivo do Brasil esteja deixando o negócio que lhe deu fortuna? Será que finalmente tomaram vergonha na cara? Será que eu acredito em Papai Noel?

ATUALIZAÇÃO: Uma amiga me alertou pelo Facebook.
A verdadeira razão via Renato Janine: "Levantei a suspeita de que a renúncia de Roseana Sarney ao governo do Maranhão a apenas 20 dias de terminar seu mandato podia visar a tirar dos cofres públicos aposentadoria rica para mais um amigo da família, e vejam o que Rafael Nochelli encontrou: "Realmente está explicada a manobra...
Constituição do Sarneystão:
Art. 45 - Cessada a investidura no cargo de Governador do Estado, o ex-governador que tenha exercido o cargo em caráter permanente, fará jus, a título de representação e desde que não tenha sofrido suspensão dos direitos políticos, a um subsídio mensal e vitalício igual aos vencimentos do cargo de Desembargador.""


VACA!! TAVA NA CARA QUE TINHA TRETA!

DESEJO DE MATAR... O DIRETOR


A premissa de "Michael Kolhaas" é digna de um filme de ação estrelado por Keanu Reeves: "Eles maltrataram seus cavalos! Mataram sua mulher! Mas mexeram com o cara errado..." Só que essa história de vingança se passa na França do século 16. Obaaa, pensei eu, vai ser tipo "Game of Thrones"! Não, não foi. O filme é de fato muito bonito (ganhou os Césars de melhor som e música) e ainda é estrelado pelo dinamarquês Mads Mikelsen, uma presença impressionante em qualquer língua. Mas é leeeeento. O diretor Arnaud des Pallières parecer querer obrigar a plateia a relfetir sobre a violência, ao invés de nos divertir com os malvados sendo mortos. Algumas cenas-chave acontecem longe das câmeras, e dá-lhe grama ondulando sob o vento. "MIchael Kolhaas" é a adaptação francesa de um livro alemão que dramatiza a passagem do feudalismo à economia capitalista (o personagem é um mercador burguês que sofre nas mãos de um barão). Poderia ter se tornado um épico histórico no cinema, mas só ficou chaaaato.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O ESTUPRADOR VERBAL

Sabe por que Jair Bolsonaro vive falando merda? Porque é sua estratégia de marketing. Foi graças às inúmeras declarações racistas, machistas e homofóbicas que ele se transformou numa grife. Tão forte que foi o deputado federal mais votado no Rio de Janeiro em outubro, tão forte que exportou um filho para São Paulo que foi imediatamente eleito deputado federal. Bolsonaro vive de vento: não apresenta projetos, não aprova nada e acaba fazendo mal à oposição da qual faz parte. Mas não está nem aí, porque seu fã-clube não para de crescer. Basta ler os comentários à notícia de seu bate-boca de hoje com Maria do Rosário, quando ele disse que não a estuprava porque ela não merece: são quase todos favoráveis a ele, em mais uma prova de que o Brasil está se tornando um país deprimente. É inútil alegar que precisamos ignorar um cara que profere tais barbaridades. Bolsonazi aprendeu a manipular a mídia, sempre confiante de que permanecerá impune. Será? Assine aqui a petição do Avaaz pela sua cassação, ou entre no grupo do Facebook que pede a mesma coisa. Mas não sei se adianta. O atual mandato dele está prestes a acabar, e o novo ainda nem começou. Fora que se ele for cassado se tornará um mártir, e seus filhinhos boçais já estão nas assembleias do Rio e SP. Pior: seus milhões de apoiadores estão no meio de nós. Não vão sumir num piscar de olhos.

O LOBO TOMA CONTA DO GALINHEIRO

Da boca pra fora, o governo Dilma promete austeridade, competência e combate à corrupção. Na surdina, convida Anthony Garotinho para uma vice-presidência do Banco do Brasil. O ex-governandor do Rio de Janeiro é apenas o chefão do crime organizado citado em "Tropa de Elite", além de um populista dos mais escrotos e evangélico de ocasião. Ou seja: não tem nenhum dos requisitos necessários para assumir um posto importante na maior organização financeira do país. Entendo que o governo precise agradar à ala garotinhista do pavoroso PR, mas existe um público muito maior que não pode ser menosprezado: eu, você, todo mundo que não aguenta mais ver a coisa pública na mão dos bandidos. Tomara que a reação negativa a essa notícia mele a indicação desse salafrário. Senão, estamos mais ferrados do que pensávamos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

KIM FOI QUE FEZ ISTO

Já pensou se a moda pega? Qualquer país que se sentir ofendido por outro pode simplesmente contratar um time de hackers e invadir os computadores do rival. Mais rápido e mais barato do que construir uma bomba atômica, e mais "humanitário" - pelo menos no curto prazo, não deve haver mortos. Foi isto que a Coreia do Norte fez contra a Sony Pictures, em retaliação ao filme "The Interview". Esta comédia que tem estreia marcada para o dia de Natal nos EUA conta a história de dois jornalistas despachados a Pyongyang para assassinar o ditador Kim Jung-Il. O governo do último regime stalinista do mundo reclamou, mas também jurou que não teve nada a ver com a invasão (apesar de ter elogiado seus autores, aham). Resta saber se o estúdio se sentiu ameaçado o suficiente para engavetar o filme. Esse tipo de guerrilha cibernética deve se tornar cada vez mais comum. Mas este episódio bizarro também traz à tona uma antiga questão: como é que um estado falido como a Coreia do Norte continua não só a existir, mas também a fazer das suas?

O FEIJÃO E O SONHO

Neste final de semana que passou, fervi como se fosse 2007. Dois eventos clássicos do final de ano voltaram a acontecer em São Paulo. No sábado, depois de um hiato, Cláudio Abraão reabriu seu apartamento no Conjunto Nacional para a tradicional feijoada, reunindo um elenco belíssimo para apreciar a vista de cair o queixo. E no domingo rolou a White Party 9 do Rogério Figueiredo, que nos dois últimos anos havia se transferido para Florianópolis. Dessa vez a distribuição de convites foi mais seletiva, e o resultado foi que o imenso Via Matarazzo ficou lotado sem abarrotar. Dava para circular, conversar no jardim, ir ao banheiro, sem aperto nem tumulto. Até o dress code estava mais relaxado: vi um sujeito com uma camiseta vermelha, um sacrilégio em outros anos. Depois de ter crescido sem controle e se tornado uma muvuca, a White Party parece ter encontrado seu tamanho ideal.

domingo, 7 de dezembro de 2014

CROMOSSOMOS FELIZES

Volta e meia a imprensa noticia a descoberta do "gene gay". A Folha de hoje traz um artigo de Reinaldo José Lopes (com direito a chamada na capa do jornal) falando que o tal gene da homossexualidade masculina está "de volta". Amparado pela mesma teoria que já comentei aqui no blog: ele seria passado aos homens por suas mães, e na verdade serve para atiçar nas mulheres o desejo pelo sexo oposto. Ou seja, tem uma função biológica - e por isto não foi eliminado pela seleção natural. Também é por isto que a homossexualidade masculina está presente de alguma forma em absolutamente todas as culturas da face da Terra. Na verdade, Reinaldo conclui que a orientação sexual não é causada apenas pela nossa carga genética (não um único gene específico), mas também pelo meio onde vivemos. Eu tendo a concordar com ele. Mas ainda mais instigante é uma linha de raciocínio que vem ganhando força nos Estados Unidos: PARA QUÊ estudar as causas da homossexualidade? Para calar a boca dos teocratas, que ainda insistem que ser gay é uma escolha. Mas a confirmação de uma origem biológica pode reforçar a ideia de que a viadagem é um defeito de fabricação, e quem sabe não possa ser corrigido? Este é um risco concreto. Por isto também concordo com este pensamento moderno: descobrir se alguém é gay é tão relevante quanto descobrir porque alguém gosta de queijo branco. Afinal, gostar de queijo branco é uma escolha consciente, é uma determinação genética ou é um produto do ambiente onde a pessoa foi criada? E daí, não é mesmo?

sábado, 6 de dezembro de 2014

SÓ NOS RESTA VIVER

A primeira vez que vi Angela Ro Ro foi em 1980, num show que ela dividia com Eduardo Dussek. Chapei: além de cantar músicas lindíssimas, aquela mulher era mais engraçada que qualquer stand-up comic. Aí levei um pé da minha namorada, e os discos da Ro Ro se tornaram a trilha sonora da minha vida. Ainda a assisti várias vezes ao longo dos anos 80, mas aí nos perdemos de vista. Ontem finalmente a conheci pessoalmente. Ro Ro e o meu marido são amigos há décadas, e ela nos convidou para o show que fez ontem no Tom Jazz, em São Paulo - justo no dia de seu aniversário. Chapei mais uma vez.

O repertório é quase todo de inéditas. Quem for esperando hits só vai ouvir "Amor Meu Grande Amor", "Só Nos Resta Viver" e "Simples Carinho". Mas as novas canções, gravadas ao vivo no álbum "Feliz da Vida", são todas ótimas. Ro Ro está cantando melhor do que nunca, e mantém a verve de humorista. Mas cexiste uma mudança notável: ela está sóbria. Agora só toma porres de água mineral. A vida é bela, e ouvindo Ro Ro fica ainda mais bonita.